Quando uma pessoa tem a revelação da graça de Deus, quando o favor divino inunda o seu coração, certos sinais tornam-se visíveis em sua vida. Ninguém pode ter um encontro verdadeiro com a graça e permanecer o mesmo.
Você precisa compreender que existem apenas dois princípios de vida: ou você vive pela lei ou vive pela graça. Não é possível misturar os dois. Mas o que significa, de maneira prática, viver pela lei? Segundo a lei, você obedece aos mandamentos e, então, é abençoado. A lei é baseada na sua própria obediência, ou seja, no seu merecimento. Ela funciona pelo princípio do mérito. Todas as vezes que você tenta se relacionar com Deus confiando em seu próprio merecimento, você está vivendo sob a lei. O problema disso é que nunca chegaremos ao ponto de merecer coisa alguma de Deus. Por isso, a lei traz condenação e, consequentemente, maldição.
O princípio da graça, por outro lado, é o princípio do favor imerecido. Enquanto a lei é baseada no merecimento, a graça é o seu oposto; é outro tipo de vida, outro paradigma. É como se fosse outra matriz. A lei é a demanda de Deus sobre mim, mas a graça é o seu suprimento. A lei é o que eu preciso ser para Deus, mas a graça é o que Ele é para mim.
Na graça, eu recebo sem merecer. Eu não trabalhei; o Filho trabalhou por mim, mas eu recebo o salário como se tivesse trabalhado. Na graça, tudo depende d’Ele e da sua obra. Enquanto você permanece na graça, o favor e a bênção de Deus estão sobre você; mas, se voltar para a lei, sofrerá as consequências da maldição.
Quando você resolve viver confiado no próprio merecimento, perde o favor, e as maldições começam a vir sobre a sua vida, mesmo sendo cristão.
Todos nós nascemos de novo porque recebemos a mensagem de que a salvação é de graça, recebida unicamente pela fé. Não tentamos pagar pela salvação com as nossas boas obras de obediência. Por isso, somos salvos. O problema é que alguns ensinam que, embora sejamos salvos pela graça, depois de salvos, temos de nos santificar pelas obras da lei. Em outras palavras, tentamos confiar em nosso próprio merecimento para nos achegar diante de Deus. A pessoa é salva, mas, por causa dessa mentalidade, sofrerá a maldição da lei em sua vida. (Gálatas 3.13)
Tudo isso acontece porque decidiu viver com base no merecimento. O merecimento é o centro da carne. É a base que o diabo usa para acusar. Todos os pecados têm origem no merecimento, assim como todas as virtudes têm origem na graça.
A maior benção você recebeu de graça , agora Deus não vai negar nada a você.
Como a graça me conduz a uma vida íntegra? Como ela produz retidão? Deixe-me dar um exemplo. Se vivo na graça, tenho uma consciência viva de que sou amado pelo Pai. Então, se surge uma situação em que sou tentado a roubar, eu simplesmente me lembro de que tenho um Pai que me ama e é muito rico. Não preciso roubar; basta pedir a Ele, e Ele me dará. Quando sei que sou amado, o resultado é a integridade, e não o contrário.
Na graça, o pecado é vencido sem esforço; a vitória acontece espontaneamente. Quem ainda vive na lei pode até rejeitar a tentação de roubar, mas o faz pelo medo do castigo e da maldição. Ele não vence porque é amado, mas para tentar conquistar o amor do Pai.
Um irmão contou que, quando era criança, seu pai tinha uma grande mercearia. Um dia, ele ficou com muita vontade de comer chocolate. Foi até a prateleira onde os guardavam e pegou um, mas o seu irmão viu e contou ao pai.
Seu pai, então, pegou-o pelo braço, levou para o fundo da loja e disse: “Fique aqui pensando no que você fez e, no fim da tarde, nós vamos ter uma conversa”. O menino passou a tarde inteira sofrendo com a expectativa da surra que levaria. No fim do dia, seu pai sentou-se ao seu lado e disse: “Você sabe que o pai ama você. Então, está aqui uma caixa de chocolate. Você não precisa roubar; basta me pedir que eu dou a você!”
“Se o seu casamento está ruim, não vá atrás de outra pessoa; peça a mim que eu resolvo”, diz o Senhor. “Não precisa ter inveja do seu colega que está prosperando; converse comigo, e eu o prosperarei também.” Na graça, nós apenas falamos com o Pai sobre tudo.
O merecimento é o que traz a maldição. Eu sei que você pensa que o pecado é a causa de tudo. É claro que o pecado é ruim e tem consequências. Mas não adianta pregar contra o pecado diretamente; pregue o amor e a graça de Deus, pois, quando você entende que é amado, você vence o pecado. O pecado não é mais o problema central; o merecimento é. A justiça própria tem o poder de fechar o céu sobre a sua cabeça.
1. A mulher pecadora: o sinal do amor
Na história da mulher pecadora que ungiu os pés do Senhor, descobrimos o primeiro sinal de alguém que provou a graça: aquele que é mais perdoado, ama mais.
Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados. Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados? Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz. (Lc 7.36-50)
Na vida cristã, tudo é resultado de amar a Deus. Essa é a razão pela qual os pastores pregam tanto a necessidade de amá-lo. Quase qualquer falha pode ser atribuída ao fato de um cristão não amar a Deus acima de tudo. Por que não oferta? Porque não ama a Deus. Por que não quer trabalhar na igreja? Porque não ama a Deus. Não importa o problema, o diagnóstico é sempre o mesmo: falta de amor a Deus.
Amar a Deus é o primeiro mandamento da lei. Se mandar amar a Deus resolvesse o problema, Moisés teria sido o maior avivalista da história. Infelizmente, a lei não tem o poder de nos fazer amar a Deus. Nenhum homem jamais cumpriu esse mandamento perfeitamente.
Hoje, na Nova Aliança, as coisas mudaram. Antes de nos mandar amá-lo, Deus vem e prova o seu próprio amor por nós. Assim, nós o amamos apenas porque Ele nos amou primeiro. Fomos conquistados para amá-lo. Sempre ouço que precisamos voltar ao primeiro amor, mas o primeiro amor não é nosso; é o amor d’Ele por nós.
É claro que vamos amar a Deus, mas isso não acontece por causa de um mandamento ou de uma lei, e sim porque entendemos o quanto fomos perdoados. Aquela mulher pecadora amou mais porque foi mais perdoada. Tudo o que precisamos é ter a revelação do tamanho do nosso pecado e de como fomos graciosamente perdoados. Toda semana precisamos ouvir que a nossa dívida foi paga. Sempre que somos lembrados disso, o amor de Deus é aperfeiçoado em nós.
Quanto mais você entende que é amado, mais você ama. Se você ainda não ama a Deus, é porque ainda não conseguiu entender a graça. Amar a Deus é um sinal claro de quem viu a graça.
Aquele que vive pelo merecimento nunca tem segurança do amor de Deus, pois tudo depende do seu próprio comportamento. Assim, há dias em que ele acha que Deus o ama, e em outros acha que Deus está com raiva dele. O amor de Deus, na mente dele, oscila de acordo com o seu desempenho. Dessa forma, ele não tem fé para descansar no cuidado divino.
2. O devedor perdoado: o sinal do perdão
Aquele que tinha uma dívida gigantesca e foi perdoado deveria, naturalmente, perdoar aquele que lhe devia uma quantia incomparavelmente menor. Esse é o segundo sinal de quem viu a graça: ele se torna perdoador porque foi muito perdoado.
Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão. (Mt 18.23-35)
Jesus disse na oração do Pai Nosso: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6.14,15). Muitos dizem que essa afirmação do Senhor era apenas para aqueles que viviam na lei, mas eu não creio nisso. Creio que tudo o que o Senhor disse é para nós e faz parte do evangelho.
Mas como conciliar essa afirmação com a graça já que parece que tudo depende de mim? Só sou perdoado se eu mesmo perdoar? Na verdade, aqui não há uma troca, o que existe é um sinal, uma evidência de que a pessoa realmente viu a graça.
Um dos sinais mais evidentes de que você creu na graça e recebeu o perdão é que você agora perdoa. Se você se recusa a perdoar de forma deliberada e constante, é bem provável que ainda não tenha visto a graça de Deus. Um cristão pode sofrer porque foi ofendido, mas ele se recusa a permanecer ressentido. Se você conscientemente deseja o juízo de Deus sobre o outro que lhe deve tão pouco, é porque ainda não entendeu o tamanho do perdão que você mesmo recebeu.
Aquele cidadão havia sido perdoado de uma dívida impagável. A pergunta é: por que ele não quis perdoar ao outro uma dívida tão pequena? Eu creio que, no fundo, ele estava dizendo algo assim: “O rei me perdoou porque ele sabe que eu sou bom, honesto e não sou caloteiro. Mas você não presta, por isso vou colocá-lo na cadeia”. Essa pessoa transformou o perdão recebido de graça em uma questão de merecimento. Isso é um desprezo à graça; é a sua completa anulação e deturpação.
Infelizmente, alguns acalentam o pensamento de que, talvez, merecessem alguma coisa. Acham que Deus viu algo de bom neles e, por isso, quis salvá-los. Esse é o caso do fariseu Simão. Ele não honrou o Senhor porque achava que não precisava de tanto perdão.
Ele não conhecia o tamanho da própria dívida diante de Deus. Para avaliar plenamente o valor da graça, você precisa perceber a magnitude da dívida que lhe foi perdoada. Um cristão que viu a graça não se torna amargurado, pedindo juízo sobre os outros.
Todo amargurado é cheio de merecimento e justiça própria. E, para Deus, a justiça própria é pior do que o pecado da mulher que estava beijando os pés de Jesus.
Não guarde ressentimento. Sua dívida era imensa e você foi completamente perdoado. Agora, a dívida dos outros para com você é insignificante. Recuse-se a ficar ofendido e magoado. Declare a todo momento: “Eu fui amado, fui muito perdoado e, agora, posso oferecer perdão graciosamente a todos”.
O diabo é um legalista; ele ama discutir sobre merecimento. Ele está sempre dizendo que não merecíamos isso ou aquilo. Ele faz isso porque sabe que o merecimento abre a porta do inferno. Venha para a graça.
3. Zaqueu, o publicano: o sinal da generosidade
Porque havia recebido uma graça tão grande, Zaqueu estava pronto para restituir e ofertar. A generosidade é um sinal claro de quem entendeu a tremenda graça de Deus.
Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido. (Lc 19.1-10)
Zaqueu era coletor de impostos, um tipo de pessoa odiada pelos judeus, visto como ladrão e explorador. Esse pequeno homem subiu numa figueira porque desejava ver Jesus. O Senhor, porém, vendo-o, disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa” (Lc 19.5). Imediatamente, aquele homem desceu e recebeu o Senhor em sua casa.
O fato de subir numa árvore mostra o grande desejo que havia em Zaqueu de conhecer o Senhor. O sicômoro é um tipo de figueira brava, e a figueira simboliza a justiça própria. Quando o Senhor manda ele descer, está mostrando que tudo é pela sua graça.
O Senhor demonstrou a sua graça entrando na casa de um pecador. Zaqueu sabia disso e foi profundamente tocado pelo amor de Jesus.
As pessoas murmuravam porque Jesus entrou na casa dele, e isso certamente o impactou. Tanto Zaqueu quanto todo o povo sabiam que ele era pecador; então, ter o Senhor em sua casa foi uma demonstração escandalosa da graça divina.
Lembre-se sempre de que é a bondade do Senhor que nos conduz ao arrependimento. Aquele que, de fato, experimenta o amor de Deus sempre rejeita o pecado. Muitos invertem essa ordem, dizendo que só experimentamos a graça depois que nos arrependemos, mas a verdade é que é a graça que nos transforma.
Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? (Rm 2.4)
O Senhor não exigiu que Zaqueu vendesse os bens e desse aos pobres. No entanto, Zaqueu se levantou e disse: “Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19.8). Zaqueu, apenas por conhecer a graça, dispôs-se a restituir quatro vezes mais a quem tivesse defraudado. Ele cumpriu a lei espontaneamente.
Quando cremos na graça, somos feitos filhos de Abraão, como o Senhor disse sobre Zaqueu. No Novo Testamento, ser filho de Abraão significa ser herdeiro da promessa; significa ser justificado pela fé.
Zaqueu experimentou a graça de Deus. Ele sabia que não merecia a bênção, mas, mesmo assim, desejou recebê-la.
Quando Zaqueu disse que daria a metade dos seus bens, o Senhor declarou: “Hoje, verdadeiramente, a salvação entrou nesta casa”. Para alguém ser salvo, precisa dar dinheiro a alguém? Claro que não. Mas, se dar dinheiro não salva, então por que Jesus disse naquela hora que ele foi salvo? A salvação é pela graça, e o que Zaqueu viu naquele momento foi a graça. Quando ele vê a graça, ele se torna gracioso. Por isso o Senhor disse que a salvação havia chegado, pois agora havia um sinal evidente de que ele tinha visto a graça.
Quem viu a graça nunca é avarento. De vez em quando, encontro alguém dizendo que está na graça e, por isso, não precisa dar nada. Será que houve salvação nessa casa? Para essas pessoas, a graça tornou-se uma desculpa para a avareza; enquanto, para Zaqueu, foi a razão para uma imensa generosidade.
Na igreja primitiva, o avarento era excluído, porque, para eles, a generosidade era o maior sinal de que alguém havia sido salvo e encontrado a graça de Deus.
4. Os dez leprosos: o sinal da gratidão
Só há gratidão quando entendemos que recebemos sem merecer. Aquele que se julga merecedor nunca agradece. É impossível não ser grato depois de tocar na graça de Deus.
Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano. Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou. (Lc 17.11-19)
Aqueles dez leprosos ficaram de longe clamando ao Senhor: “Jesus, Mestre, compadece-te de nós” (Lc 17.13). O Senhor mandou que se mostrassem aos sacerdotes e, enquanto iam pelo caminho, foram curados. Um deles, quando percebeu que havia sido curado, voltou para agradecer — e este era estrangeiro.
O Senhor disse a ele: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou” (Lc 17.19). Mas uma pessoa é salva por mostrar gratidão? É a gratidão que salva? Não. Nós somos salvos pela graça. Acontece que aquele leproso tinha visto a graça de Deus.
O raciocínio dele foi simples. Sendo estrangeiro, ele sabia que não tinha direito algum de participar das bênçãos dos filhos de Abraão. Ele não era participante da aliança. Então, quando viu a cura, foi tomado de gratidão. É como se dissesse: “Recebi sem merecer. Preciso ir agradecer”. A gratidão dele era o sinal de que tinha visto a graça, e todo aquele que vê a graça é salvo. Por isso, o Senhor o despediu dizendo que ele estava salvo.
Não é por acaso que a palavra “graça” pode significar tanto o favor imerecido quanto o agradecimento, a gratidão. Se você recebe graça, você dará graças. A gratidão é um sinal de quem viu a graça.
Não é uma questão de mandar o irmão ser grato, ou ser generoso como Zaqueu, ou ainda perdoador e cheio de amor como a pecadora perdoada. Quando fazemos isso, estamos apenas voltando para a lei e dando mandamentos aos irmãos. Não é o mandamento que produz essas virtudes em nós, mas o desfrute da graça, a revelação do favor imerecido.
Zaqueu viu a graça, e o resultado foi generosidade. A mulher pecadora viu a graça, por isso amou muito o Senhor. O leproso viu a graça, e o resultado foi gratidão. Tudo o que precisamos é conhecer a graça, é nos alimentar diariamente desse amor. É a sua graça que nos transforma.
Tudo na vida cristã é uma questão de ver a graça de Deus e saber o quanto você é amado, perdoado e aceito. Quanto mais você sabe disso, mais expressará espontaneamente integridade e santidade — frutos que fluem sem esforço algum.