A Palavra de Deus é um manual divinamente inspirado para o sucesso em todas as áreas da sua vida. A relação entre o Antigo e o Novo Testamento é apresentada como uma dinâmica de ocultação e revelação, onde o Novo está contido no Antigo, e o Antigo é plenamente revelado no Novo.
O propiciatório era a parte de cima da Arca, a sua tampa. Nela havia dois querubins esculpidos de ouro com a face voltada um para o outro e as asas abertas sobre a Arca. Esse era o lugar de onde Deus diz que falaria com Moisés.
A única menção de que Deus falou do propiciatório e deu instruções a Moisés é a passagem de Números 8. No livro de Levítico, por exemplo, Deus falou com Moisés fora do tabernáculo. Em outra ocasião, Deus falou com Moisés do alto do Monte Sinai. Deus falou com outras pessoas em outros lugares, mas a única vez que Deus falou do propiciatório deve ser uma instrução muito importante.
Essa instrução foi proferida diretamente do propiciatório, a tampa da Arca da Aliança, localizada no Lugar Santíssimo. Este era o epicentro da presença de Deus, e uma comunicação vinda de lá carrega um peso de importância inigualável.
O capítulo 7 do livro de Números estabelece o cenário, concluindo com a descrição de como Moisés ouvia a voz de Deus:
Quando Moisés entrava na tenda da congregação para falar com o SENHOR, então, ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório, que está sobre a arca do Testemunho, entre os dois querubins; assim lhe falava. (Nm 7.89)
Imediatamente após essa introdução, o capítulo 8 revela o conteúdo dessa instrução divina. O foco da mensagem é o candelabro de ouro, conhecido em hebraico como menorá.
Esse objeto sagrado não era uma peça comum. Foi forjado a partir de um único talento de ouro puro, batido para formar uma peça única, incluindo sua base, haste central e os seis braços laterais. Essa unidade de construção simboliza uma totalidade indivisível. Sua forma era uma estilização da amendoeira, a primeira árvore a florescer após o inverno, tornando-se um poderoso símbolo da ressurreição e da vida que triunfa sobre a morte.
A simbologia do candelabro
A menorá é uma alegoria de Cristo e da Igreja, uma tipologia que, uma vez compreendida, revela a substância da verdade do Novo Testamento.
• A haste central é o candelabro: Essa haste principal é uma figura do Senhor Jesus Cristo. Sua proeminência é destacada por um detalhe em sua construção: enquanto as hastes laterais tinham três conjuntos de taças em formato de amêndoa, a haste central tinha quatro (Êx 25.31-34), significando que Ele é de uma classe à parte, superior em glória e honra. Êxodo 25.34 diz que o candelabro mesmo era haste central. É por isso que se diz que as seis hastes deveriam estar voltadas para o candelabro que era a haste central.
Nós somos esses ramos ligados a Cristo. A haste central é diferente, Ele é único. Ele é o centro e nós estamos ligados a Ele.
João 15.1-8 “ Eu sou a videira verdadeira….”
• As seis hastes laterais: Os três braços de cada lado da haste central representam os crentes, a Igreja. Eles não são peças separadas, mas fazem parte do mesmo corpo de ouro, unidos a Cristo.
Assim, o candelabro em sua totalidade simboliza a união orgânica e inseparável entre Cristo, a cabeça, e a Igreja, seu corpo.
A instrução específica, vinda do coração do santuário, está em Números 8:
Disse o SENHOR a Moisés: Fala a Arão e dize-lhe: Quando colocares as lâmpadas, seja de tal maneira que as sete venham a alumiar defronte do candelabro. E Arão fez assim […]segundo o modelo que o SENHOR mostrara a Moisés, assim ele fez o candelabro. (Nm 8.1-4)
A palavra hebraica para “defronte” significa, mais literalmente, “na face”. A ordem divina era que todas as seis lâmpadas laterais fossem posicionadas de modo a projetar sua luz diretamente sobre a face da haste central. Este é o clímax da revelação: o propósito de cada crente é direcionar sua luz para glorificar e iluminar a pessoa de Jesus Cristo.
Ao colocar as lâmpadas, a haste central tem que ser o foco. Cristo é o centro.
Quando o Senhor é o centro, as coisas acontecem. Coloca Cristo no centro. Hoje o candelabro tem milhões de hastes, que somos cada um de nós; que cada haste esteja voltada ao centro.
O propósito central da vida cristã
O mais importante que o Senhor quer que saibamos é isto: tudo o que você faz é para trazer glória ao braço central, o Senhor Jesus Cristo!
A vida do crente, em todas as suas facetas, deve ter um propósito unificador: trazer glória a Jesus Cristo. Quando esse foco se perde, a vida se torna vazia e frustrante. Resplandecer a Sua Imagem.
•Casamento e carreira: Se o casamento visa apenas à satisfação mútua, ou se a carreira busca apenas ambições pessoais, ambos se tornam mundos pequenos e insatisfatórios. O verdadeiro significado é encontrado quando são consagrados para a glória de Cristo. Não gaste seus melhores anos perseguindo pequenas ambições, você foi criado para coisas maiores!
•Ministério: O teste definitivo de qualquer ministério, pregação ou obra cristã é simples: ele exalta a pessoa de Jesus Cristo? Ele leva as pessoas a olharem para Cristo?
Esse princípio é transportado para o Novo Testamento através da visão de João em Apocalipse. Ele vê sete candelabros de ouro, e o próprio Jesus revela seu significado: “[…] os sete candeeiros que viste são as sete igrejas” (Ap 1.20).
E onde estava Jesus? “No meio dos candelabros” (Ap 1.13). Isso reafirma a verdade de que Cristo deve ser o centro absoluto da Igreja. As cartas às sete igrejas, com seus elogios e repreensões, giram em torno de quão perto ou quão longe elas estavam desse centro.
Em Apocalipse cada candelabro era uma igreja, e todos os problemas delas eram porque perderam o foco. “Eis que estou a porta e bato….” foi escrito para uma igreja.
Cristo é a fonte e não apenas, o meu mestre. Cristo é o centro, a mensagem é focada Nele e na obra Dele.
O teste definitivo de um ministério: Centraliza a Cristo? Ele é o alfa e o ômega, princípio e fim. Qual a sua expectativa Nele?
Poder na humildade, juízo na arrogância
Quando o foco está corretamente em Jesus, o poder divino flui. A cura do coxo na Porta Formosa por Pedro e João é o exemplo prático perfeito. Eles não reivindicaram poder para si, mas agiram como canais, declarando: “[…] em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (At 3.6).
Eles operaram com o “poder de representação”, a autoridade delegada que a Igreja possui no nome de Jesus (Mt 28.18). Aprenda a usar esse nome, porque ele foi dado a você. Quando a multidão, maravilhada, começou a exaltá-los, Pedro imediatamente os corrigiu, desviando toda a atenção para Cristo:
Israelitas, por que vos maravilhais disto ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Servo Jesus. (At 3.12-13) – Não é apenas um nome, mas uma pessoa.
Eles funcionaram exatamente como as lâmpadas do candelabro, apontando para a haste central. Podemos orar e ver a cura manifestar-se diante dos nossos olhos, mas lembre-se disto: não se trata da santidade do homem que ora, mas apenas do Nome d’Aquele que ela representa!
Essas duas lâmpadas (Pedro e João) brilhavam em direção ao braço central, elas traziam glória a Jesus! Eles rejeitaram os elogios dos homens, não saíram por aí se vangloriando e dizendo aos outros: “Ei, olhem isso! Eu fiz a cura!”
Em contraste gritante, a Escritura nos apresenta dois exemplos de juízo sobre aqueles que tomaram a glória de Deus para si. Você sabe o que acontece se alguém não dá glória a Deus? Se você tem uma vida rica, uma posição de prestígio, se você tem tudo o que este mundo o podedar, se você tem a adulação das pessoas, mas não tem o objetivo de dar glória ao nosso Senhor Jesus Cristo, você está numa posição perigosa.
Quem sou eu? Sou apenas um conservo!!! A soberba é algo muito sério !!!
• Herodes Agripa I: Flávio Josefo, um historiador judeu, nos conta que a túnica real de Agripa era feita de um material especial tecido com prata. Todo o manto era feito desse tecido prateado. Então, quando o sol estava mais brilhante, quando ele saía com esse manto real prateado, ele parecia tão brilhante quanto o sol.
Josefo também conta que Herodes encorajou o povo a gritar daquela forma porque, obviamente, era assim que o povo o lisonjeava.
Ao aceitar ser aclamado como um deus, “no mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou” (At 12.23).
Esse cara estava aceitando o povo dizer que Ele eraDeus. Isso só não acontece com você, de ser comido por vermes, porque você é filho; mas não quer dizer que não somos corrigidos.
• Nabucodonosor: Por se vangloriar de seu poder na construção da Babilônia, foi humilhado e enlouqueceu “até que aprendeu que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Dn 4.32).
Um dia, o rei Nabucodonosor estava andando entre esses jardins e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para glória da minha majestade? Imediatamente, uma voz veio do céu e disse-lhe:
A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Já passou de ti o reino. Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; e far-te-ão comer ervas como os bois, e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. (Dn 4.30-32)
Então, Nabucodonosor ficou louco. Cabe a cada um reconhecer que todos os reinos deste mundo, todas as instituições são estabelecidas por Deus; Deus estabelece um reino e derruba outro.
A Bíblia diz que Nabucodonosor se tornou como um lobo, o primeiro “lobisomem”. Ele enlouqueceu e viveu nos campos à vista de todos os seus súditos, tornou-se como uma fera e comeu capim como bois durante sete anos.
A Bíblia conta que, no fim desses sete anos, ele ergueu os olhos para o céu e disse: “O Deus Altíssimo governa sobre os reinos dos homens!” E foi aí que a razão voltou para ele.
Então, ele se levantou, acomodou-se, limpou-se, sentou-se novamente em seu trono e emitiu um decreto: a partir daquele momento os homens em todos os lugares adorariam o verdadeiro Deus dos céus, o Deus Altíssimo, que governa os reinos dos homens (Dn 4.37).
O trabalho do nosso sumo sacerdote
Apesar da seriedade com que Deus trata sua glória, sua atitude para com seus filhos é de correção, não de juízo. O trabalho do sumo sacerdote com o candelabro ilustra essa verdade de duas maneiras:
1. Remoção dos resíduos: Pela manhã, ele removia os pavios queimados que produziam somente fumaça em vez de luz. Isso simboliza a obra de Deus em purificar nossa vida, removendo o que impede nosso brilho.
2. Levantando o pavio: Quando um pavio enfraquecia e a chama diminuía (uma figura do desânimo e da depressão), o sacerdote não o apagava, mas o levantava e o reajustava no azeite. Ele não apaga a “torcida que fumega” (Mt 12.20).
É o que estou fazendo com você hoje, levantando e ajustando; não apagando.
O pavio da lâmpada precisa ser renovado constantemente. Começa a fumegar quando acaba o óleo, perde o foco; mas hoje o Senhor vai espevitar você.
O ministério de Jesus foi um ministério de “levantar” os caídos: o filho da viúva de Naim (Lc 7.14), a filha de Jairo (Mc 5.41) e o paralítico de Betesda (Jo 5.8).
Essa perspectiva lança uma nova luz sobre a passagem frequentemente temida em João 15.2: “Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta […]”. A palavra grega original, airo, significa primariamente “levantar” ou “erguer”. Um viticultor não corta um ramo saudável que caiu na poeira, tornando-se infrutífero; ele o levanta e o amarra na treliça para que possa receber luz e dar fruto. Deus não nos descarta em nossa fraqueza; Ele nos levanta do pó do desânimo, da autocondenação(simbolizada pelos filisteus, cujo nome significa “chafurdar na poeira”) e da acusação do diabo, cuja comida é o pó (Gn 3.14).
3. O azeite era trazido: Quem trouxe o óleo? O povo de Deus trouxe o azeite para o candelabro. O óleo é uma figura do Espírito Santo.
Ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveira, batido, para o candelabro, para que haja lâmpada acesa continuamente. (Êx 27.20)
Como podemos trazer o Espírito Santo? Você já tem o Espírito Santo em você! Quando você vem para um culto, você traz consigo a sua unção, e o somatório de todos produz um grande peso de glória e a luz do candelabro resplandece.
Quem traz a unção não sou só eu. Você tem uma medida de unção também.
Se cada um vier e trouxer o Espírito de Deus, brilharemos intensamente! Todos nós temos algo com que podemos contribuir, por isso 1 Coríntios 14.26 diz que cada um tem um salmo, ou um ensinamento, ou uma revelação.
4. Foco contínuo: Arão, o sumo sacerdote, e seus filhos deveriam conservar em ordem o candelabro (Êx 27.21). Mas o que significa “conservar em ordem o candelabro”? De manhã, ele removia os resíduos queimados e levantava o pavio para que as lâmpadas pudessem brilhar intensamente, e à noite eles organizavam todas as lâmpadas de forma que ficassem voltadas para o centro. Porque tinham de repetir isso todos os dias? As lâmpadas certamente mudavam de posição por conta de alguém que se movimentava próximo a elas ou mesmo por uma rajada de vento.
Isso significa que hoje você está focado em Jesus, mas tudo o que o diabo faz tem apenas um objetivo, que é fazer você tirar os olhos do Senhor Jesus Cristo. O diabo está atrás da sua atenção. O diabo sabe que não pode derrotá-lo enquanto seus olhos estiverem em Jesus. A luta pela sua atenção e foco é a maior mercadoria neste mundo (redes sociais) . Mantenha o seu foco no Senhor.Tem mais atrás da sua atenção; o Senhor Jesus.
Ore o tempo inteiro, por tudo que vier à sua cabeça.
A experiência de Pedro andando sobre as águas é a ilustração definitiva. Enquanto olhava para Jesus, ele operava no sobrenatural. No momento em que desviou o olhar para a tempestade, ele afundou (Mt 14.28-31). A dúvida, portanto, não é primariamente intelectual, mas uma questão de foco. Tenha muito cuidado para não perder o foco. Seja prudente.
Foco contínuo e adoração
Vejo hoje uma nova geração surgindo! E essa geração é formada por pessoas que são apaixonadas por Jesus, querem que Jesus seja glorificado, querem que Jesus seja exaltado! Isso me lembra a história de Samuel, o jovem cuja mãe se chamava Ana, e Ana significa “graça” em hebraico.
Lembre-se de que o sumo sacerdote daquela época era Eli, mas seus filhos eram ímpios: eles se deitavam com as mulheres que iam ao tabernáculo, abusavam das ofertas das pessoas e a Bíblia diz que Deus avisou Eli, mas ele não feznada em relação aos seus filhos.
Finalmente, Ana deu à luz Samuel e o ofereceu ao Senhor para servir ao sumo sacerdote. Samuel era um jovem e representa as novas gerações que foram geradas pela graça.
O jovem Samuel servia ao SENHOR, perante Eli. Naqueles dias, a palavra do SENHOR era mui rara; as visões não eram freqüentes. Certo dia, estando deitado no lugar costumado o sacerdote Eli, cujos olhos já começavam a escurecer-se, a ponto de não poder ver, e tendo-se deitado também Samuel, no templo do SENHOR, em que estava a arca, antes que a lâmpada de Deus se apagasse. (I Sm 3.1-3)
O sacerdote estava deitado! O fato de sua visão ter começado a ficar turva significa que ele não conseguia mais ver as coisas de Deus.
A lâmpada de Deus ainda não havia se apagado, isso significa que Eli não estava cuidando do candelabro! Cada lâmpada brilhava em uma direção diferente, mas Deus viu um jovem cujos olhos estavam no Senhor! Deus guarda zelosamente a glória de seu Filho. Se você não fizer o mesmo, Ele encontrará outra pessoa antes que a lâmpada de Deus se apague!
Não despreze os homens, mas eles não são o foco. Nós respeitamos, honramos, nos sujeitamos a autoridades delegadas; mas só Jesus é o centro, só Jesus é o foco.