Em nossa última ministração, compartilhamos sobre a confusão causada pela mistura. Hoje, gostaria de acrescentar algo que vai trazer grande bênção e revelação do ministério que desfrutamos atualmente em Cristo.
Vivemos dias de muitas vozes, por isso precisamos discernir bem o pregador que decidimos ouvir. O fato é que alguns ministram morte, e outros, vida.
Hoje quero compartilhar sobre o capítulo 3 de 2Coríntios e mostrar o problema da mistura entre graça e lei.
Contemplando a glória para ser transformado
E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. (2 Co 3.18)
Já falei sobre esse texto inúmeras vezes, mas, a cada vez, o Senhor traz um pouco mais de luz. Apenas por contemplar o Senhor, somos transformados de glória em glória. Isso significa que, se estamos nas trevas, seremos trazidos para a luz; se somos pobres, seremos ricos; se estamos doentes, seremos curados. Nossa alma será transformada porque veremos a graça e o amor do Senhor e seremos transformados à sua imagem.
Nossa parte nesse processo envolve duas coisas. A primeira é ter o rosto desvendado. Precisamos tirar o véu. A segunda é que precisamos contemplar. Não é difícil contemplar; é como o povo de Israel que apenas olhou para a serpente de bronze e foi curado do veneno. Somos transformados não por nosso esforço próprio, mas pelo Espírito do Senhor. Mas como podemos contemplar a glória do Senhor? Conhecendo a glória da eterna aliança.
A letra mata, o Espírito vivifica
Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o Espírito vivifica. (2 Co 3.5–6)
A nossa suficiência não vem de nós mesmos, mas de Deus, que nos habilitou para sermos ministros. Contudo, a suficiência de Deus não vem para aqueles que ministram o velho pacto, mas somente para os que ministram a nova aliança. Essa nova aliança não é da letra, mas do Espírito. A letra é a lei de Moisés, e aqui vemos que a letra mata. Por que ela nos mata? Simplesmente porque nos sentimos culpados, e então ela traz a maldição sobre nós.
Gálatas 3.13 diz que fomos resgatados da maldição da lei. Essa verdade só faz sentido para aqueles que quebraram a lei; quem nunca quebrou a lei não terá maldição. E sabemos que todos os homens quebraram a lei. Se houvesse alguém capaz de cumprir a lei, não haveria a necessidade de o Senhor resgatá-lo da maldição. Lembre-se de que a lei é tentar cumprir o mandamento e ser justo a fim de ser abençoado, mas a graça é crer na justiça de Cristo que nos foi dada. A lei consiste em fazer corretamente, mas a graça é crer corretamente.
É comum vermos pessoas falando sobre comida saudável. Elas dizem que não adianta crer no livramento de Deus se continuarmos comendo coisas ruins, afirmando que Deus não nos ouvirá. Mas isso é justamente o oposto do evangelho. O Senhor resgatou da maldição somente os que desobedeceram à lei, e não os “bonzinhos”. O problema acontece quando essas pessoas que se julgam saudáveis sofrem uma enfermidade. É como o crente cheio de justiça própria que ficou doente. Ele se enche de questionamentos, dizendo não entender por que os bons sofrem e que o universo não faz sentido. Na graça é assim: os que se acham bons não recebem favor, apenas aqueles que sabem que são pecadores.
A pregação da lei mata. Eu frequentemente prego sobre o Velho Testamento, mas sempre para mostrar Cristo. Aqueles que pregam a lei de forma literal, porém, estão ministrando morte.
A Velha Aliança é uma nota promissória de dívida, mas a Nova Aliança traz paz. A palavra “letra” usada aqui em 2 Coríntios 3.6 poderia ser traduzida como a lei do Velho Testamento. Na verdade, a palavra “letra” ainda hoje é usada como sinônimo de nota promissória, carta de fiança, declaração escrita de débito ou dívida. Não é por acaso que o governo emite um documento chamado LTN (Letras do Tesouro Nacional). Quando você adquire uma LTN, o governo passa a ser seu devedor. Você passa a ter uma carta promissória chamada de letra do Tesouro.
Pregar a letra é pregar a dívida que as pessoas tinham com Deus de acordo com a lei. Isso significa que nós hoje não pregamos mais a lei do Velho Testamento. Não estou dizendo que não podemos pregar o Velho Testamento, mas somente podemos pregá-lo se for para apontar para Cristo.
O ministério da morte: a glória desvanecente
E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! (2 Co 3.7–8)
Claramente se diz, no verso 6, que a letra mata, e agora vemos que esse ministério da morte foi escrito com letras em pedra. A única parte da lei que foi escrita em tábuas de pedra foram os Dez Mandamentos. Então, a letra é a lei, e o ministério da morte é a lei.
Algumas pessoas dividem a lei em mandamentos morais, leis cerimoniais e juízos. Então, afirmam que as leis cerimoniais e os juízos passaram, mas os mandamentos permanecem. Contudo, a única parte da lei escrita em tábuas de pedra foram os mandamentos.
Mas aqui temos algo interessante: Paulo diz que a glória estava no rosto de Moisés. Sabemos que Moisés subiu duas vezes ao monte, mas sua face brilhou apenas na segunda vez. Na primeira vez, Moisés desceu da montanha com as duas tábuas; quando, porém, viu o bezerro de ouro, ele quebrou as tábuas. Nessa primeira vez, a face de Moisés não brilhou.
Depois disso, Moisés sobe uma segunda vez ao monte (Êx 32.30), e, dessa vez, Deus fez passar diante dele toda a sua bondade (Êx 33.19). O Senhor adicionou graça à velha aliança. O que fez a face de Moisés brilhar foi ele contemplar a bondade do Senhor. Então, havia um elemento de graça. Foi a mistura entre lei e graça que fez a face de Moisés brilhar (Êx 34.29-35).
Logo, o ministério da morte é essa mistura entre lei e graça. Não existe nenhuma igreja que pregue puramente a lei; é sempre uma mistura, um pouco de graça e um pouco de lei. Essa glória desvanecente ainda existe hoje. Em muitas igrejas, você encontra uma mistura de lei e graça. Este é o ministério da morte. É algo muito sutil, mas é o ministério da morte.
Se pregassem a lei pura, talvez, em algum momento,clamassem pela graça, mas, como pregam algo misturado, as pessoas ficam com a sensação de que receberam o melhor de Deus. Comumente, os pastores pregam a lei; todavia, quando as pessoas se sentem desanimadas e pensam em desistir, eles invariavelmente oferecem graça. Por causa disso, experimentam alguma glória, mas é uma glória desvanecente.
Quando Moisés desceu da montanha pela segunda vez com novas tábuas da lei, ele tinha visto a graça de Deus, mas também trazia as tábuas da lei. Creio que o Senhor quer nos mostrar o problema da mistura. E,quando o povo viu a face de Moisés, eles correram, porque havia glória na face de Moisés, mas uma glória que produz medo. É uma glória que o faz ver seus pecados e sua condenação.
Quando o Senhor subiu ao monte da transfiguração, o seu rosto brilhou, mostrando a sua glória; e, quando Ele desceu, o povo correu em sua direção. A glória de Cristo nos atrai por causa da graça, por isso somos transformados.
O ministério da justiça: a glória permanente
Como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça. Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobre-excelente glória. (2 Co 3.8-10)
O ministério da mistura é um ministério de morte. A mistura entre lei e graça resulta em morte. E mesmo o ministério da morte teve alguma glória. Como não será de maior glória o ministério do Espírito?
A lei demanda justiça, e quando não respondemos com justiça, ela traz justa condenação. Mas a graça provê a justiça. Assim, quando você vive debaixo de constante demanda de Deus, esse é o sinal de que você está na lei.
Porque, se o que se desvanecia teve sua glória,muito mais glória tem o que é permanente. Tendo, pois, tal esperança, servimo-nos de muita ousadia no falar. E não somos como Moisés, que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que se desvanecia. (2 Co 3.11-13)
Pregar condenação pode ter alguma glória, principalmente quando as pessoas vão à frente em prantos buscando arrependimento. Muitos podem até pensar que é um avivamento, mas, na verdade, a morte está operando e,cedo ou tarde, ela vai se manifestar. Muitos gostam de dizer que avivalistas como Charles Finney pregavam a lei, mas tudo que posso dizer é que é uma glória desvanecente. As igrejas evangélicas estão sempre buscando reavivamento, e a razão disso é que a morte lhes é ministrada constantemente por causa da mistura da lei com a graça.
A Palavra de Deus diz que o ministério da justiça terá uma sobre-excelente glória. O ministério da justiça é a nova aliança, o evangelho da graça.
O véu que cega
Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado. (2 Co 3.14-16)
Existe um véu que cega a mente das pessoas. Isso se aplica aos judeus, mas também se aplica àqueles que vivem deliberadamente debaixo da lei. Quando você está sob a lei e lê a Bíblia, tudo o que consegue ver é “o que devo fazer e o que não devo fazer”. Você não consegue ver Jesus. Mas a Bíblia não é um livro sobre regras, é um livro sobre pão. É para a nossa alimentação.
Outro dia, ouvi uma pregação sobre o Getsêmani, na qual o pregador dizia que Getsêmani significa “prensa de azeite”. Então, ele aplicou dizendo que precisamos também ser esmagados para que o azeite flua. Isso é colocar o homem no centro e tirar a glória de Cristo. A nossa unção não flui das nossas dores, mas das feridas do Senhor. Não estou dizendo que não há lutas e perseguições, mas foi o Senhor quem sofreu a prensa para liberar sobre nós a sua unção.
Em Cristo, porém, o véu é removido, ou seja, quando vemos Cristo no Velho Testamento, todo véu é removido. Isso não significa, no entanto, que apenas o Velho Testamento pode ser letra. Se você tem uma mente legalista e cheia de condenação, consegue transformar o Novo Testamento em letra que mata.
No capítulo 4, Paulo diz que o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos (2 Co 4.3-4). Isso significa que o mundo nos olha e vê apenas regras e regulamentos: “Faça isso e não faça aquilo”. Simplesmente não sabem a respeito da vida abençoada que temos debaixo da graça.
E se o evangelho não fosse tão maravilhoso, não haveria necessidade de o diabo cegar o entendimento das pessoas. O inimigo sabe como o evangelho da graça é glorioso. A maneira como o diabo cega as pessoas é pela lei. A lei é o véu. A pregação da lei não produz transformação nem traz glória que permanece.
Alguém pode dizer que a verdadeira mistura não é entre graça e lei, mas entre a igreja e o mundo. Mas você sabe o que é mundanismo? Não é usar drogas, fazer tatuagem ou adulterar. O mundo vive debaixo de regras e regulamentos, e tudo procede da meritocracia. Quando você traz isso para a igreja, isso é mundanismo. Mundanismo é fazer as coisas de maneira natural, sem depender do poder de Deus.
Removendo o véu em Cristo
Em 2 Coríntios 3, versículo 15, lemos: “Mas até hoje, quando Moisés é lido, um véu repousa sobre seus corações”. Quando Moisés é lido, o véu está sobre seus corações. No entanto, quando alguém se volta para o Senhor, o véu é retirado.
Como tirar o véu? Simplesmente nos voltando para o Senhor. Quando lemos para ver Cristo, o véu é tirado. Mas,quando lemos apenas para aprender algum princípio, seja de vida, liderança, finanças, casamento etc., então o véu permanece.
Não vamos à igreja para receber uma verdade, mas a verdade viva. Deixe-me explicar. A matemática, a tabuada, 2 vezes 2 é 4, é a verdade. Mas não é uma verdade viva. Não pode remover o processo de decadência e morte em sua vida. Não pode transportar você das trevas para a luz. É verdade, mas não é uma verdade viva.
Somente na igreja você encontra a verdade viva, mas apenas se a igreja estiver pregando o evangelho. Estamos lidando com a verdade viva, não apenas com a verdade. Os teoremas da geometria são verdadeiros, mas não são a verdade viva. Cada esfera de conhecimento neste mundo é verdade, mas não é a verdade viva. Somente o evangelho é a verdade viva, e você acabou de ouvir o evangelho.